A expansão da frota de veículos elétricos em Goiás começa a criar uma nova demanda para condomínios residenciais e comerciais. Com cada vez mais moradores optando pela mobilidade elétrica, cresce também a necessidade de instalação de carregadores em garagens, exigindo adaptações que vão desde adequações na rede elétrica até discussões sobre divisão de custos e regras de utilização.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que Goiás encerrou 2025 com 6.487 veículos eletrificados comercializados, alta de 23% em relação ao ano anterior. Desde 2022, o estado acumula cerca de 14,8 mil veículos eletrificados, consolidando-se entre os principais mercados brasileiros da mobilidade elétrica. Em Goiânia, os emplacamentos acumulados desde 2022 somam aproximadamente 6,8 mil unidades, colocando a capital entre as dez cidades do país com maior presença desses veículos.
O crescimento da frota já começa a ser percebido dentro dos empreendimentos residenciais. No mercado imobiliário, administradoras e representantes do setor observam aumento na procura por carregadores individuais, principalmente em condomínios verticais de médio e alto padrão.
Segundo Antônio Carlos da Costa, presidente do Secovi Goiás, a mobilidade elétrica já impacta a rotina dos condomínios e exige planejamento para os próximos anos. “Enquanto casas em condomínios horizontais e empreendimentos verticais novos já conseguem integrar carregadores e energia fotovoltaica com mais facilidade, os prédios antigos precisarão de intervenções mais complexas e onerosas para atender à regulamentação e à crescente demanda”, afirma.
Ele destaca ainda que a individualização do consumo de energia representa um dos principais desafios para a administração condominial, embora já existam tecnologias capazes de resolver essa questão. Na avaliação do presidente do Secovi Goiás, a combinação entre energia solar e carregadores elétricos tende a se tornar um diferencial competitivo importante para os empreendimentos imobiliários.
Instalação exige análise técnica
Para o engenheiro eletricista e de segurança do trabalho Flávio Fernandes, a instalação dos equipamentos exige uma análise técnica cuidadosa. “A instalação de carregadores não pode ser tratada como uma simples adaptação elétrica. Existe a necessidade de estudo de demanda, análise da capacidade da edificação, revisão dos sistemas de proteção e planejamento técnico adequado para evitar riscos”, explica.
A preocupação vai além do aumento do consumo de energia. Especialistas alertam para riscos relacionados à sobrecarga elétrica, falhas em sistemas de proteção, aquecimento excessivo de instalações antigas e possíveis incêndios em garagens.
Regulamentação com foco em segurança
A expansão da mobilidade elétrica também vem acompanhada do crescimento da rede de recarga. Levantamento da ABVE em parceria com a Tupi Mobilidade aponta que o Brasil alcançou 16.880 pontos públicos e semipúblicos de carregamento em 2025, crescimento de 59% em apenas um ano. Em Goiás, já são 384 pontos de recarga, dos quais 197 estão localizados em Goiânia.
Diante desse cenário, órgãos públicos e entidades técnicas começam a regulamentar o tema. Em Goiás, o Corpo de Bombeiros publicou a Norma Técnica nº 45/2025, estabelecendo diretrizes para instalação de sistemas de recarga em garagens e edificações, com foco em segurança, ventilação, proteção elétrica e prevenção de incêndios.
Para a engenheira Tatiana Jucá, o crescimento da frota exige que infraestrutura e tecnologia avancem juntas. “Não existe transição energética segura sem planejamento técnico”, afirma.
Segundo ela, o desafio não é apenas ampliar a mobilidade elétrica, mas garantir que condomínios, empreendimentos, concessionárias e órgãos públicos acompanhem essa transformação com segurança e responsabilidade.